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DOMINGAS ZOMBO MUQUINDO

Construindo o Seu Espaço na Educação: Língua Portuguesa, Comunicação e uma Missão que não Esperou pelo Diploma

No âmbito da campanha Ahetu mu Kulonga — Mulheres na Educação, a Angola Aprende conversou com Domingas Zombo Muquindo, estudante do primeiro ano da Escola Superior Pedagógica do Bengo, no curso de Ensino da Língua Portuguesa. Natural da província do Bengo, tem 22 anos e já constrói, antes de terminar a formação, uma trajectória plural: mestre de cerimónias, palestrante e formadora em expressão em Língua Portuguesa.

Nesta entrevista, Domingas fala sobre a distância entre o que se aprende e o que se vive nas escolas angolanas, sobre o que ainda falta na formação de professores e sobre a convicção de que entrar na educação é assumir um compromisso diário com vidas em formação — e transformar, inclusive, a si mesma.

És professora de formação, mestre de cerimónias, palestrante e formadora em expressão em Língua Portuguesa, construindo uma trajectória sólida na educação e na comunicação. Em que momento percebeste que o teu percurso deixaria de ser apenas profissional para se tornar uma missão educativa?

Domingas Zombo Muquindo: Percebi que o meu percurso deixaria de ser apenas profissional para se tornar uma missão educativa no momento em que compreendi que a minha voz não servia apenas para comunicar — mas para formar, inspirar e transformar. Quando comecei a ver alunos ganharem confiança ao expressarem-se, entendi que não era apenas profissão: era uma missão que me foi dada.

O que despertou em ti o interesse pela educação e de que forma essa escolha continua a influenciar quem és hoje?

Domingas Zombo Muquindo:

Nunca me passou pela cabeça ser professora quando era mais pequena — sempre quis ser uma empresária de sucesso. Mas as coisas nem sempre saem como desejamos.

Comecei a leccionar muito cedo, numa explicação, quando frequentava a 8.ª classe. No início, simplesmente gostava de estar diante dos alunos e partilhar conhecimento. Mas depois isso começou a fazer parte da minha vida. O que despertou mesmo o interesse pela educação foi o meu irmão — lembro-me como se fosse hoje: estávamos a preparar-nos para os exames de admissão no ensino médio e ele disse-me que eu ficaria muito bem se fizesse magistério na especialidade de Língua Portuguesa.

Essa escolha continua a influenciar quem sou hoje de uma forma extraordinária. Quando vejo os meus alunos a evoluírem, sinto-me orgulhosa.

Que mulher marcou profundamente a tua forma de pensar, viver ou praticar a educação, e que ensinamento dela permanece contigo até hoje?

Domingas Zombo Muquindo: A mulher que me marcou — e continua a marcar — é a minha mãe, Eugénia Augusto Zombo.

Os ensinamentos que ficaram: “Enquanto acreditares em ti, ninguém pode apagar o teu brilho.” E outro que me faz rir bastante, mas que hoje entendo na perfeição: “A preguiça é a chave da pobreza.” Ela dizia isso sempre que eu adiava alguma coisa ou tinha preguiça de a fazer.

Quando pensas em trabalhar um dia numa escola angolana, o que mais te entusiasma e o que mais te preocupa?

Domingas Zombo Muquindo: O que mais me entusiasma é a possibilidade de impactar vidas num contexto onde a educação é um caminho de transformação social. O que me preocupa são os desafios das turmas numerosas, a escassez de recursos e as constantes mudanças nas orientações. No entanto, vejo isso como um chamado à criatividade pedagógica e à resiliência.

Já tiveste oportunidade de estagiar ou observar escolas? O que viste sobre como os professores lidam com mudanças constantes que te fez repensar algo?

Domingas Zombo Muquindo: Pude observar que muitos professores desenvolvem uma resiliência admirável. Lidam com mudanças curriculares, exigências administrativas e realidades sociais complexas. Isso fez-me repensar a importância de formar professores não apenas tecnicamente, mas também emocionalmente e estrategicamente. A sala de aula exige domínio do conteúdo — mas exige igualmente inteligência emocional e capacidade de adaptação.

Há momentos em que percebes uma distância entre o que aprendes sobre educação e o que realmente acontece nas escolas angolanas? Podes partilhar um exemplo?

Domingas Zombo Muquindo: Sim, existe alguma distância. Na teoria, aprendemos metodologias activas, ensino individualizado e avaliação formativa contínua. Na prática, com turmas de 40 ou 50 alunos, nem sempre é possível aplicar tudo como idealizado. O acompanhamento individual torna-se um desafio quando o tempo e os recursos são limitados. Precisamos de formar professores para a realidade.

Sentes que a tua formação actual te está a preparar para trabalhar num sistema educativo onde as políticas e lideranças mudam constantemente?

Domingas Zombo Muquindo: Em parte, sim. A formação académica dá uma base teórica sólida. Mas a realidade exige actualização contínua, autonomia intelectual e postura crítica.

Se pudesses adicionar algo à tua formação que sentes que falta para te preparar melhor para a realidade das escolas, o que seria?

Domingas Zombo Muquindo: Mais prática supervisionada em contextos reais e formação em gestão de sala de aula em ambientes desafiadores.

Se pudesses influenciar a forma como se formam professores em Angola, ou como se produz conhecimento sobre educação, o que farias diferente?

Domingas Zombo Muquindo: Começaria por criar programas de mentoria contínua para professores iniciantes e para os que já estão no sistema. Incluiria disciplinas de inteligência emocional, comunicação eficaz e resolução de conflitos. E valorizaria mais as investigações feitas de acordo com a realidade angolana e dos alunos.

Eme ngui muhatu wa Kulonga — eu sou mulher na educação. O que ressoa em ti quando dizes esta afirmação?

Domingas Zombo Muquindo: O que ressoa em mim é responsabilidade, força e legado. Ressoa a consciência de que educar não é apenas transmitir conteúdos — é formar consciências, influenciar mentes. Ser mulher na educação é compreender que cada palavra dita, cada orientação dada e cada momento partilhado marca uma geração.

É transformar histórias.

Que mensagem deixarias a outras jovens mulheres que estão a considerar seguir um caminho na educação?

Domingas Zombo Muquindo: Se escolheres a educação, escolhe com consciência e coragem. Não é apenas uma profissão — é um compromisso diário com vidas em formação. Aprende a liderar, não apenas a ensinar. Não romantizes a profissão, mas também não desistas por causa das dificuldades. Haverá dias desafiadores, mas haverá também momentos em que perceberás que uma palavra tua mudou a direcção da vida de alguém.

Entra na educação, mas entra para transformar. Inclusive a ti mesma.

Também acreditas na força da educação? Descobre como participar e levar esta transformação mais longe.

Continue a Inspirar-se com Ahetu que Fortalecem a Educação em Angola

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