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O Custo Invisível de Ensinar por Amor

A primeira vez que dei aulas, eu não tinha habilitação docente. Não conhecia estratégias pedagógicas, não tinha adoptado uma filosofia de ensino, não sabia o que era um plano de progressão de carreira, nem sequer imaginava um dia criar o meu próprio método de ensino. Tinha talvez nove anos, uma janela enferrujada no quintal que servia de quadro e um mata-barata — o giz insecticida que toda a casa angolana conhece — que fazia as vezes de giz escolar. Os meus alunos eram os de sempre — primos e primas que, sem saber, se matriculavam no quintal da Dona Antónia para as férias pedagógicas. Coitados dos miúdos, convencidos de que iam descansar, de que estariam finalmente livres de exercícios e de tarefas. Mas lá estava eu, de pé diante da janela, com um objecto qualquer a servir de ponteiro, a apontar para os meus escritos com toda a seriedade do mundo.

Ninguém me mandou fazer aquilo. Ninguém me pagou. Ninguém sequer me pediu. Eu simplesmente fazia. E se alguém me tivesse perguntado porquê, eu não teria sabido responder — porque aos nove anos não se dão explicações para aquilo que se sente como inevitável.

Anos depois, tive a graça de assumir o meu primeiro trabalho oficial como professora. Professora da Escola Bíblica Dominical. Uma experiência que até hoje marca o meu testemunho. Já levava alguma bagagem de leituras e pesquisas, já não era a menina da janela enferrujada — ou talvez fosse exactamente a mesma, agora com mais palavras para o que fazia. Exerci essa função durante quase três anos, e cada domingo confirmava algo que eu já sabia desde o quintal da minha mãe: ensinar era, para mim, a coisa mais natural do mundo.

Depois vieram as formações. Os treinamentos. Os diplomas. Mais de quarenta certificações. Pesquisas. Mais leituras. Mais experiência. Um país diferente. Passei de Angola para os Estados Unidos, de salas sem material para escolas com recursos que antes só conhecia da televisão. Trabalhei em instituições com nomes que as pessoas reconhecem, com colegas de origens que nunca imaginei cruzar, com alunos que falavam línguas que eu ainda estava a aprender. Construí, tijolo a tijolo, uma carreira que ninguém me deu de presente.
E, no entanto, os comentários continuam os mesmos.

Toda a sala em que entro, toda a conferência a que assisto, apresento, ou organizo, toda a escola em que trabalho ou com que colaboro repete, com orgulho, a mesma frase: «Isso é um chamado.» Nos Estados Unidos, tornou-se moda perguntar «Qual é o teu porquê?» — como se a nossa profissão precisasse de uma justificação espiritual que nenhuma outra profissão exige. Ninguém pergunta ao engenheiro qual é o seu porquê. Ninguém pede ao médico que explique o chamado. Ninguém oferece ao advogado um chocolate no final do ano como reconhecimento pelo trabalho feito. Mas a nós, sim. A nós dão-nos doces na semana de apreciação, um presente dos pais no Natal — um chocolate que, depois de uma mordida, acabou — e esperam que isso baste.

E no final, continuamos mal pagos.

Não é queixa. É constatação. E atravessa fronteiras. Em Luanda e em Washington, em escolas públicas e privadas, em sistemas que não se parecem em quase nada mas que coincidem nisto: esperam que o nosso amor nos baste, como se amar o que fazemos anulasse o direito ao salário justo, às condições dignas, ao respeito profissional.

Não só somos mal pagos, como ainda usamos o nosso próprio dinheiro para adquirir recursos que melhorem a experiência dos nossos alunos. Compramos material de bolso. Imprimimos fichas em casa. Levamos livros nossos para as salas de aula. E quando alguém nota, acha bonito. «Que dedicação», dizem. «Vê-se que ama o que faz.» Como se gastar do meu salário para suprir falhas do sistema fosse prova de virtude e não sinal de negligência institucional.

Deixem-me ser clara: eu amo o que faço. Amava aos nove anos, quando nem sabia que aquilo tinha nome. Amava na Escola Bíblica Dominical, quando cada domingo era uma pequena revolução silenciosa. Amo agora também, com quase duas décadas de caminho percorrido, com mais ferramentas, mais consciência, mais firmeza. O amor nunca foi o problema.

O problema é que fizeram do nosso amor a infra-estrutura do sistema.

Quando uma sociedade transforma a paixão de quem ensina na base sobre a qual todo o sistema educativo se apoia, faz uma operação que parece homenagem mas é, na verdade, exploração disfarçada de elogio. Se amamos o que fazemos, então não precisamos de ser bem pagos — o amor compensa. Se temos vocação, então as condições de trabalho são um detalhe — a vocação supera. Se isto é um chamado, então reclamar é quase uma ingratidão — porque quem é chamado serve, não exige.

Esta narrativa não é inocente. Serve um propósito muito concreto: permite que governos invistam menos na educação sem que ninguém se indigne demasiado. Permite que escolas funcionem sem condições e a responsabilidade recaia sobre quem «não tem paixão suficiente». Permite que a sociedade nos exija tudo — que eduquemos, que disciplinemos, que alimentemos, que aconselhemos, que protejamos, que inspiremos — e em troca nos ofereça gratidão simbólica em vez de reconhecimento estrutural.

Agradecem-nos com palavras porque não querem agradecer-nos com recursos. Celebram a nossa entrega porque não estão dispostos a retribuí-la.

Eu conheço os dois lados. Conheço a sala de aula em Angola onde o giz as vezes falta e nós nos desenrascamos. Conheço a sala nos Estados Unidos onde o material existe mas o salário não acompanha o custo de vida, onde trabalhamos sessenta horas por semana, ou mais, e ganhamos menos do que profissões que exigem metade da nossa formação. Os contextos são diferentes, as dificuldades são diferentes, mas o discurso é o mesmo: «Estás a fazer a diferença.» «Isso é um chamado.» «Obrigada por tudo o que fazes.»
E nós continuamos. Não por resignação — por convicção de que o que fazemos importa demasiado para parar.
Mas que ninguém confunda a nossa persistência com conformismo. Que ninguém leia a nossa presença diária como aceitação silenciosa. Continuamos porque acreditamos no que fazemos — não porque aceitamos o que nos fazem. Uma família que reconhece o nosso trabalho não nos está a fazer um favor — está a cumprir o mínimo. Um director que nos defende não é excepção admirável — deveria ser regra. O respeito que nos é devido não é gesto de generosidade. É obrigação.

Se ensinar é tão nobre, por que razão nos tratam como se fôssemos dispensáveis?

Se a educação é a base de tudo — e em todos os discursos políticos ela é —, por que razão quem a sustenta vive na precariedade? Se somos o pilar da nação — e em todas as cerimónias dizem que somos —, por que razão não temos remuneração justa, acesso garantido a formação contínua, estabilidade na carreira e respeito institucional à altura do que entregamos?

A resposta é incómoda, mas é simples: porque o discurso da paixão permite que vivam com essa contradição. Enquanto acreditarem que fazemos o que fazemos por amor, não precisam de investir à medida do que exigem. O nosso amor torna-lhes a vida mais fácil. Sempre tornou.

Não é mais amor que nós precisamos. É de políticas que nos respeitem, que respeitem a profissão, que reconheçam o peso do que fazemos e respondam com estrutura, não com aplausos.
O amor já cá está. Estava na janela enferrujada onde uma menina de nove anos ensaiava ser professora sem saber que o seria para o resto da vida. Estava na Escola Bíblica Dominical, cada domingo de manhã. Está em todas as salas por onde passei, em todos os alunos cujos nomes ainda sei de cor, em cada hora não paga que dediquei a planificar, a corrigir, a pensar numa forma melhor de explicar aquilo que ainda não tinha sido compreendido. Está em cada colega que conheço, em cada professor que acorda cedo e volta tarde, em cada professora que dá mais do que lhe pedem porque sabe que o que está em causa é maior do que ela.

O amor já está na professora Joice e na professora Sandra que, em plena cidade de Luanda, dão aulas de alfabetização a crianças em idade escolar — crianças que já deveriam estar a ler e a escrever com autonomia, não a começar do zero. Como pode? Não me perguntem agora. Esse amor também está na professora Cyd, que compareceu às conferências com os encarregados de educação no mesmo dia em que perdeu o bebé que carregava. Por quê? Porque, para a directora, isso não era motivo suficiente para se ausentar. Está no professor Teo, que passava horas na biblioteca a pesquisar para garantir aulas relevantes. O amor está neles — e em tantos outros professores cujos sacrifícios conheço com dor.

O nosso amor nunca faltou. O que falta é tudo o resto — salários que não sejam uma ofensa, escolas que funcionem sem depender do nosso bolso, políticas que tratem a nossa profissão como aquilo que ela é: um pilar, e não um voluntariado disfarçado de carreira.

Hoje é dia de falar de amor. Pois bem: ensinar por amor tem um custo. E esse custo, há demasiado tempo, só nós o pagamos.

Eu continuo a ensinar. Com mais formação e mais consciência de tudo o que ainda falta. Com o mesmo amor de sempre — mas com a certeza de que o amor, sozinho, não basta. Nunca bastou. E é hora de pararem de fingir que sim.

Isabel Muinga | Ser Médica em Angola: entre Percurso, Prática e Aprendizagem Contínua

ISABEL MUINGA

Ser Médica em Angola: o Percurso, a Prática e a Aprendizagem Contínua

No contexto do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, assinalado a 11 de Fevereiro, a Angola Aprende conversou com Isabel Muinga, médica interna de especialidade em Medicina de Urgência na Clínica Sagrada Esperança, em Luanda. Pós-graduada em Tuberculose, Doenças Infecciosas e Infecção por VIH e Terapêutica Antirretrovírica, é também formadora convidada no Centro de Formação da Clínica Sagrada Esperança e membro do Núcleo de Investigação Científica dos Estudantes de Saúde de Angola (NICESA) e do Projecto Nacional de Iniciação Científica (UniPRONIC).

Nesta entrevista, Isabel Muinga fala sobre o percurso até à Medicina, os desafios da urgência, o autocuidado e o que significa ser mulher na ciência médica em Angola.

Quem é a Isabel Muinga para além da profissão?

Isabel Muinga: Para além da profissão, sou mulher, cristã, leitora, voluntária nas áreas da educação e da saúde, e presidente da Associação Clube de Leitura Umoxi.

Recorda-se do momento ou da fase da vida em que percebeu que queria seguir Medicina? O que pesou nessa decisão?

Isabel Muinga: Sim, recordo-me. Não foi um momento ou uma fase única. Os meus pais criaram-me num “mundo” onde era permitido sonhar livremente, e cresci amando o conhecimento, questionando tudo e dando o meu melhor em todas as áreas do saber com que tinha contacto. Isso, na verdade, fez com que eu não conseguisse enxergar o que queria ser quando crescesse — não havia orientação profissional.

No final do IIº Ciclo do Ensino Secundário, precisava de tomar uma decisão e escolhi Engenharia Informática. Já tinha cogitado, em algum momento, ser médica, mas acabei escolhendo engenharia pela qualidade de vida. Porém o destino não quis: quando chegou a altura dos testes na Universidade Agostinho Neto, a minha mãe deu-me 2.000 kzs e aconselhou-me a seguir o seu sonho — inscrever-me em Medicina. Assim o fiz, e aqui estou.

Como descreveria o seu dia-a-dia enquanto médica de urgência?

Isabel Muinga: O meu dia-a-dia enquanto médica de urgência é imprevisível, dinâmico e desafiador. Costuma dizer-se que “a Medicina de Urgência constitui os 15 minutos mais interessantes de todas as outras especialidades” — e é verdade.

Na urgência, experimento um misto de emoções. É um local flutuante — ora calmo, ora agitado, ora caos — onde procuro sempre manter a imperturbabilidade. Sou quebrada, mas também regenerada. É um local de responsabilidade, onde se lida com a vida humana e não há rascunhos. Entendo o verdadeiro poder das minhas decisões e a importância do trabalho em equipa. Lá não existe apenas “eu”, mas “nós”.

Que aspectos da prática médica mais a desafiam como pessoa, para além do conhecimento técnico e científico?

Isabel Muinga: Para além do conhecimento técnico e científico, os aspectos da prática médica que mais me desafiam como pessoa são a comunicação eficaz a todos os níveis, os dilemas éticos — que exigem escuta activa, empatia e tomada de decisões complexas, muitas vezes desafiando crenças, costumes e normas — e o autocuidado.

Fala-se cada vez mais do bem-estar e da saúde mental dos profissionais. Ao longo do seu percurso como médica, que estratégias pessoais tem encontrado para cuidar de si e manter-se bem no exercício da profissão?

Isabel Muinga: Com o aumento da incidência de esgotamento profissional entre profissionais de saúde — principalmente dos que trabalham em urgências e emergências — fala-se cada vez mais no assunto. O foco da nossa missão é o paciente, o ser humano, e a formação contínua de excelência. Em contrapartida, precisamos ter estabilidade financeira e manter-nos saudáveis para cuidar dos outros, o que torna difícil delimitar a linha entre o trabalho e o autocuidado.

Ao longo do meu percurso como médica, as estratégias pessoais que tenho encontrado são:

Evitar fazer turnos extras e trabalhar em vários locais. Permito-me descansar e recuperar de um turno, sempre que possível.
Trabalhar com amor — afinal, escolhi ser interna de especialidade em Medicina de Urgência. Delegar tarefas e pedir ajuda quando necessário.
Optar por uma cultura organizacional assente no respeito, garantindo um ambiente de trabalho saudável.
Usufruir do amor, do cuidado e das actividades em família.
Fazer actividades que me dão prazer e me permitam relaxar.
Há experiências na Medicina que a marcaram profundamente ou que mudaram a forma como vê a vida e as pessoas?

Isabel Muinga: Certamente. Trabalhando numa urgência diariamente, sou continuamente exposta aos momentos mais tristes e agoniantes da vida das pessoas. Todos os dias disputamos com a morte — às vezes é tarde demais e não há nada que possamos fazer para vencer; outras vezes, por mais que demos tudo de nós, perdemos a batalha.

Mas felizmente, na maior parte das vezes, saímos vitoriosos. E é incrível ver alguém novamente saudável, testemunhar em primeira mão uma pessoa sendo grata à vida e saber que fizemos parte desse feito — sentir que as nossas acções fizeram real diferença.

No final de cada turno, aprendemos a ser gratos por cada minuto do dia. Agora vivo mais!

Ao longo do percurso médico, há diferentes etapas de formação e aprendizagem. Como descreveria esse processo de crescimento profissional, desde a licenciatura até à prática clínica mais madura?

Isabel Muinga: Sinceramente, ainda não cheguei “à prática clínica mais madura” — estou em formação (risos). Todos os dias aprendo. Estou em construção; é um processo contínuo de aprendizagem e desenvolvimento profissional.

Da faculdade de Medicina trazemos o conhecimento, e durante a prática médica precisamos permitir-nos ser moldados, aprofundar esses conhecimentos e transformá-los em habilidades e práticas — ou seja, aplicar o “saber fazer”.

Em Angola, o termo “doutor” é muitas vezes usado como forma de respeito para médicos logo após a licenciatura, apesar de, do ponto de vista académico, o doutoramento ser um grau distinto e posterior. Enquanto médica, como explica esta diferença à sociedade e como ajuda a reforçar a ideia de que a formação em Medicina é um percurso feito de várias etapas de estudo, prática e aprendizagem contínua?

Isabel Muinga: O termo não é usado apenas em Angola para esse fim — em Portugal, Brasil e outras partes do mundo também, inclusive entre médicos, outros profissionais de saúde e advogados.

No dia-a-dia, já não explico mais à sociedade. Não dá certo (risos). Pude perceber que muitos até sabem a diferença, mas usam o termo “doutor” por questão de hábito, o que não causa danos. Porém, em conferências, palestras, ou sempre que alguém questiona directamente, elucido sobre o assunto.

Apesar do aumento do número de pessoas a formarem-se em Medicina em Angola, ainda é comum que muitos pacientes prefiram procurar cuidados de saúde fora do país ou junto de médicos estrangeiros. Na sua opinião, que factores influenciam esta percepção e que papel a formação contínua, a prática clínica e a ciência podem ter no fortalecimento da confiança nos médicos angolanos?

Isabel Muinga: Apesar do número crescente de médicos formados em Angola, ainda não são suficientes para dar resposta à demanda. Segundo a literatura, até 2024 Angola tinha apenas 2,48 médicos por cada 10.000 habitantes, ficando abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de dez médicos por cada 10.000 habitantes.

Não obstante, existem outros factores que concorrem directamente para esta prática: o défice organizacional do sistema nacional de saúde, deficiências na gestão de financiamento e na criação de um modelo eficaz e sustentável tendo em conta a nossa realidade, desigualdades no acesso aos serviços de saúde, e lacunas na capacitação contínua dos profissionais face às novas actualizações.

É importante investir na formação contínua dos médicos, garantir condições de trabalho e crescimento profissional — isto dá confiança e torna-os capazes de dar resposta aos desafios. Mas toda a cadeia anteriormente mencionada deve funcionar, e é preciso também fornecer educação para a saúde à população.

De que forma a sua experiência enquanto mulher influencia o modo como vive e exerce a Medicina?

Isabel Muinga: Creio que se foca essencialmente em assumir o protagonismo da minha vida e no autocuidado. Ser influência positiva para outras mulheres — e também para homens, principalmente os que são responsáveis pela educação de mulheres. Prestar suporte emocional durante o processo de cura, alívio do sofrimento ou reabilitação. Ensinar a não se submeterem a situações que prejudiquem a sua saúde física, mental, social e espiritual — porque as decisões médicas são tomadas com base em evidências científicas.

Sente que ser mulher na área médica traz desafios específicos? Se sim, como lida com eles no seu percurso profissional?

Isabel Muinga: Sim, ser mulher na área médica traz desafios específicos. Lido com eles desconstruindo o “imaginário colectivo” e ideias pré-estabelecidas erroneamente, pregadas de geração a geração como verdades absolutas — com educação baseada em evidências. E insistindo em políticas institucionais que garantam a redução destes desafios.

Quando pensa em meninas e jovens mulheres que desejam seguir Medicina, o que gostaria que elas compreendessem sobre esta profissão desde o início?

Isabel Muinga: O que todos os interessados deveriam compreender é que é uma profissão com seis anos de graduação, de rotina intensa e desafiadora, que exige estudo contínuo, dedicação, empatia, trabalho em equipa, resiliência emocional e disciplina. Mas é maravilhosa — e se é isso que queres, então devias fazer, pois poucas profissões proporcionam momentos puros de transformar vidas.

Que qualidades pessoais considera essenciais para quem deseja construir um percurso sólido e humano na Medicina?

Isabel Muinga: Creio que, a esta altura da entrevista, já devem conhecer algumas. Como estou neste processo, apoio-me na literatura, e as qualidades essenciais são: competência, empatia, experiência, disponibilidade, saber comunicar, resiliência, integridade e disciplina.

No contexto do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o que significa para si fazer parte da ciência médica em Angola?

Isabel Muinga: Sinto-me feliz e grata pela oportunidade de poder contribuir para o desenvolvimento da ciência em Angola — na prática clínica e, ao mesmo tempo, marcando passos iniciais na investigação em saúde. Ser agente que provoca mudanças.

Ao longo do seu percurso na Medicina, houve profissionais — com quem trabalhou de perto ou que acompanha à distância — que marcaram a sua forma de exercer? Que aprendizagens retira dessas referências?

Isabel Muinga: Certamente. Medicina faz-se em equipa. São vários os aprendizados, que se reflectem diariamente na forma de abordar os pacientes, na escrita científica e na maneira de ver e ler o mundo.

Na sua visão pessoal, o que distingue uma boa médica, para além da formação académica?

Isabel Muinga: A forma como aplicamos o conhecimento aprendido e as habilidades desenvolvidas em benefício da pessoa doente. Em suma: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana” — Carl Jung.

Que mensagem deixaria a uma menina que hoje sonha ser médica, mas sente receio da exigência e da responsabilidade do caminho?

Isabel Muinga: Tens o poder de sonhar com liberdade e de realizar o seu sonho. Ser médica exige sacrifícios, mas não é uma corrida directa e exaustiva até à meta — é uma jornada. Podes estabelecer uma equipa de apoio, descansar quando necessário, recarregar, às vezes apenas caminhar, e saber que cada dia que passa estarás mais perto de realizar o teu sonho.

Foca no que te move: amor por vidas.

Quando as Políticas Mudam, Quem Mantém a Educação de Pé?

O PROBLEMA DA INVISIBILIDADE EPISTEMOLÓGICA
Quando se analisa a literatura académica e os documentos de política educativa em Angola, encontra-se um padrão consistente: o conhecimento produzido sobre educação é, na sua maioria, construído a partir de perspectivas externas às salas de aula. Decisores políticos, académicos, consultores internacionais e gestores de topo produzem análises, diagnósticos e recomendações — mas as vozes de quem efectivamente implementa a educação no terreno estão amplamente ausentes do registo formal.
Este não é um problema abstracto. É uma lacuna epistemológica com consequências práticas: políticas educativas desenhadas sem compreensão profunda das condições reais de implementação, reformas que não consideram os constrangimentos que os professores enfrentam, soluções importadas que não respondem às especificidades do contexto angolano.
No ensino primário em Angola — o nível de ensino que atende o maior número de crianças e que enfrenta os desafios mais complexos de acesso, permanência e qualidade — as mulheres constituem parte significativa do corpo docente. No entanto, esta presença nas salas de aula não se traduz em representação proporcional nos espaços de produção de conhecimento sobre educação, nem nas estruturas de decisão do sector.
Ahetu mu Kulonga parte de uma premissa simples: quem faz a educação acontecer deve ter voz activa na construção do conhecimento sobre educação. Não como testemunho anedótico, mas como fonte legítima de análise, interpretação e proposição.

POR QUE EM MARÇO?
Março é internacionalmente reconhecido como mês dedicado às questões das mulheres. Em Angola, o Março Mulher já integra o calendário cultural e institucional. A Angola Aprende não inventou esta tradição; convertemo-la para o nosso domínio de actuação — a educação — criando um espaço anual onde educadoras possam contribuir para o debate público sobre o sector a partir das suas experiências e análises.
Fazemo-lo porque reconhecemos que a composição do corpo docente angolano exige esta atenção específica. Se queremos compreender como a educação realmente funciona em Angola — não como deveria funcionar segundo documentos de política, mas como efectivamente funciona nas escolas — precisamos de ouvir sistematicamente quem está no terreno. E no terreno, especialmente no ensino primário, são maioritariamente mulheres.

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE LIDERANÇA MÓVEL
O tema desta edição — Educação em Tempos de Liderança Móvel — emerge de uma constatação histórica e de uma realidade presente.
Historicamente, nos últimos 50 anos, o sistema educativo angolano passou por múltiplas reformas, mudanças curriculares, alterações de políticas e reestruturações institucionais. Cada administração presidencial trouxe novas prioridades: alfabetização massiva pós-independência, expansão do acesso ao ensino básico, reformas curriculares sucessivas, debates sobre línguas de ensino, integração de tecnologias, ênfase na qualidade.
No presente, a nomeação de uma nova Ministra da Educação, a menos de um ano do final do actual mandato presidencial, ilustra precisamente esta dinâmica. Esta mudança de liderança ministerial — num contexto de incerteza sobre continuidade de políticas após as próximas eleições — coloca os profissionais da educação numa situação familiar: navegar transições, adaptar-se a novas orientações, manter a qualidade do trabalho pedagógico enquanto estruturas e prioridades institucionais se redefinem.
Estas mudanças — algumas necessárias, outras precipitadas, muitas implementadas sem recursos adequados — criaram um contexto onde os profissionais da educação precisam de desenvolver capacidades específicas de adaptação, reinterpretação e implementação criativa. Precisam de “liderar” (tomar decisões, fazer escolhas, priorizar) em contextos onde as directrizes mudam, os recursos flutuam, e as condições locais impõem constrangimentos que os documentos oficiais não prevêem.
Esta é a “liderança móvel” que nos interessa investigar: não a liderança formal em cargos de gestão, mas a liderança pedagógica quotidiana que professoras exercem quando navegam entre o que é prescrito e o que é possível, entre o currículo oficial e a realidade das suas salas de aula, entre as expectativas institucionais e as condições efectivas de trabalho.

O QUE PROCURAMOS COMPREENDER
Ao longo deste mês de Março, convidamos mulheres que estão a estudar para trabalhar na educação, que actuam actualmente em escolas e outros contextos educativos, ou que leccionam no ensino superior na formação de futuras profissionais da educação — no pré-escolar, ensino primário ou ensino secundário — a partilharem as suas análises sobre questões concretas:
Como adaptam currículos e metodologias quando as condições da escola não correspondem aos pressupostos dos documentos oficiais?
Que estratégias desenvolvem para manter continuidade pedagógica em contextos de mudança frequente de políticas e lideranças?
Como tomam decisões quando enfrentam dilemas entre directrizes institucionais e necessidades específicas dos seus alunos?
Que conhecimento prático acumularam sobre o que efectivamente funciona no contexto angolano?

Estas não são questões anedóticas. São questões de investigação. As respostas contribuem para uma base de conhecimento mais sólida, diversa e contextualizada sobre educação em Angola — conhecimento construído não apenas sobre a educação, mas a partir da educação.

Eme ngui muhatu wa Kulonga — eu sou mulher na educação.
Digo isso com orgulho. E convido todas as mulheres que trabalham ou estudam no sector da educação a dizerem o mesmo. A afirmarem a sua presença. A partilharem o seu conhecimento. A reclamarem o seu lugar no debate sobre o futuro da educação angolana.

O Que a Escola Torna Público

Durante doze anos a estudar em Luanda, habituei-me a ver o meu nome exposto nos corredores das escolas por onde passei. Surgia nas vitrinas, nos murais, nas listas afixadas com uma naturalidade quase ritual. Lembro-me bem dessa experiência e lembro-me também de a viver com tranquilidade. Em casa, existia um sistema claro e exigente que garantia acompanhamento constante, disciplina e orientação, assegurando que as minhas notas fossem sempre escritas a preto e, na maioria das vezes, acima da média. Para mim, aquela exposição nunca representou ameaça nem constrangimento.

Mas a escola não era feita apenas de mim.

Ao lado do meu nome, muitas outras notas preenchiam os murais em vermelho. Muitas mesmo. E nós sabíamos exactamente quem eram esses alunos. Tinham nomes, tinham rostos, por vezes até fotografias. A exposição não era abstracta nem distante; era concreta, quotidiana e partilhada por todos. Crescemos a reconhecer, sem necessidade de explicação formal, quem estava “bem” e quem estava “mal”, quem subia ao quadro de honra e quem ficava associado, trimestre após trimestre, à cor que marcava o mural. Aqui manifesta-se já um problema central: a normalização da exposição pública do desempenho académico individual, tratada como prática pedagógica legítima sem reflexão sobre o seu impacto.

Recordo-me também das fotografias. As minhas, integradas nos quadros de honra, em fundos de cartolina cuidadosamente decorados para simbolizar mérito, celebrações e datas festivas. Hoje, observo o mesmo a acontecer com os meus irmãos, que ainda percorrem o sistema de educação em Angola. As vitrinas mudaram de formato, os materiais tornaram-se mais modernos, mas a lógica mantém-se surpreendentemente intacta: nomes, notas, imagens e classificações continuam a ser tornados públicos como parte normal da vida escolar. Este prolongamento no tempo revela um problema institucional persistente: práticas herdadas que se mantêm por hábito e não por intenção pedagógica consciente.

Esta observação não surge como acusação nem como nostalgia. Surge como ponto de partida para uma reflexão necessária. Quando uma prática atravessa gerações quase sem ser questionada, o problema deixa de ser individual e passa a ser institucional. E é precisamente nesse plano que a escola deve interrogar-se sobre o que torna público e porquê.

A avaliação escolar não é apenas um mecanismo técnico de medição do desempenho. É um acto pedagógico que comunica valores, expectativas e hierarquias. A forma como os resultados são divulgados ensina tanto quanto os conteúdos desenvolvidos no ambiente de aprendizagem. Quando a divulgação pública de informação académica individual se transforma em rotina, a avaliação afasta-se da sua função formativa e aproxima-se de uma lógica de exposição que pouco acrescenta à aprendizagem. Aqui evidencia-se outro problema estrutural: a confusão entre avaliação formativa e exibição pública de resultados.

Os dados académicos fazem parte do percurso do aluno e da sua identidade em construção. Nomes, imagens e médias não são meros elementos administrativos; são informação pessoal que exige tratamento criterioso. Torná-los públicos não melhora o processo educativo nem fortalece a avaliação enquanto instrumento pedagógico. Em muitos casos, apenas normaliza a comparação constante e reforça um problema recorrente: a confusão entre transparência institucional e acesso irrestrito à informação individual.

Importa sublinhar que esta reflexão não parte de uma visão paternalista da escola nem de uma leitura de fragilidade dos alunos. Parte da responsabilidade institucional. A escola educa também pelo modo como organiza os seus espaços, comunica resultados e gere informação. Ao expor dados académicos individuais, transmite uma mensagem silenciosa sobre sucesso, fracasso e valor, contribuindo para um problema pedagógico profundo: a redução do valor do aluno ao resultado visível que ocupa no espaço escolar.

Proteger dados no contexto educativo não é uma exigência abstracta nem um detalhe administrativo. É uma extensão natural da ética profissional do educador e do compromisso da escola com a dignidade humana. Transparência não significa tornar tudo visível; significa comunicar com intenção pedagógica, com critério e com consciência do impacto das práticas adoptadas.

Na Angola Aprende, entendemos que educar é um acto consciente e responsável. Rever práticas antigas não é negar a história das escolas angolanas, mas reconhecer que a educação, para cumprir o seu papel transformador, precisa de se alinhar com o tempo presente e com os valores que afirma promover. As instituições que reflectem criticamente sobre as suas práticas não perdem autoridade; constroem confiança, coerência e maturidade institucional.

Como tenho defendido, “na escola, a informação sobre o aluno faz parte do seu percurso e da sua identidade. Tratar esses dados com respeito é educar para a dignidade, para a responsabilidade e para a cidadania.” Esta não é uma questão periférica nem um debate meramente técnico. É um tema central para quem acredita numa educação capaz de formar cidadãos conscientes, críticos e responsáveis.

Os problemas institucionais e caminhos pedagógicos possíveis
O primeiro problema claramente identificado é a divulgação pública de notas individuais, prática que transforma a avaliação num mecanismo de comparação permanente e visível. Quando a nota deixa de ser um instrumento pedagógico e passa a ocupar o espaço público da escola, perde-se o seu carácter formativo. A alternativa consiste na comunicação individualizada dos resultados, assegurando que cada aluno e a sua família recebem a informação de forma directa, contextualizada e pedagógica, preservando a avaliação como instrumento de orientação, acompanhamento e melhoria da aprendizagem.

Um segundo problema é a exposição pública de nomes e imagens associadas ao desempenho académico, frequentemente materializada em quadros de honra afixados em cartolinas e murais. A alternativa não é eliminar o reconhecimento do mérito, mas requalificar a forma como esse reconhecimento acontece. Integrar o mérito académico nas celebrações institucionais da escola, como galas de fim de ano ou momentos solenes, com atribuição de certificados, prémios ou menções formais baseadas em critérios claros, torna o reconhecimento mais memorável, duradouro e pedagógico, sem necessidade de expor notas ou classificações.

Identifica-se também como problema a confusão entre transparência institucional e acesso irrestrito à informação académica individual. Muitas escolas tornam públicos dados por ausência de orientações claras sobre o que deve ou não ser divulgado. A alternativa passa pela definição de protocolos institucionais de comunicação, simples e adequados à realidade escolar, que estabeleçam quem tem acesso à informação, em que formato e com que finalidade, promovendo uma cultura de responsabilidade, critério e respeito pela informação educativa.

Outro problema recorrente é a redução da avaliação ao resultado final tornado visível, frequentemente descontextualizado do percurso do aluno. Quando apenas o resultado é destacado, perde-se a dimensão do processo e do desenvolvimento. A alternativa reside no reforço da avaliação formativa contínua, integrada no ambiente de aprendizagem, com retorno pedagógico regular, acompanhamento sistemático e valorização da evolução do aluno ao longo do tempo, reforçando o sentido pedagógico da avaliação.

Por fim, existe o problema estrutural da manutenção acrítica de práticas herdadas, reproduzidas mais por hábito do que por reflexão pedagógica. A alternativa é investir na formação contínua de professores e gestores escolares, centrada em ética educativa, comunicação institucional e gestão responsável da informação, permitindo que as escolas façam escolhas conscientes, alinhadas com os valores que afirmam promover e com as exigências de uma educação contemporânea.

Educar implica escolhas. A forma como avaliamos, comunicamos e tornamos pública — ou protegemos — a informação dos alunos é uma dessas escolhas. E toda escolha educativa ensina, mesmo quando não é explicitamente assumida como tal.

Juventude no Centro: Co-Criar a Educação como Projecto Colectivo

A educação é um dos mais antigos projectos colectivos da humanidade. Ao longo da história, as sociedades organizaram sistemas educativos para transmitir saberes, valores, competências e visões de mundo às novas gerações. Ainda assim, apesar de a educação existir para preparar o futuro, esse mesmo futuro — representado hoje por crianças, adolescentes e jovens — continua, em grande medida, afastado dos espaços onde se pensam, decidem e implementam as políticas educativas. O Dia Internacional da Educação de 2026, dedicado ao tema O poder da juventude na co-criação da educação, convida-nos a confrontar essa contradição de forma crítica, responsável e situada.
Vivemos um momento histórico singular. Mais de metade da população mundial tem menos de 30 anos. Trata-se de uma juventude diversa, marcada por diferentes realidades sociais, económicas, culturais e territoriais, mas também profundamente conectada, informada e activa. Nunca houve tantos jovens a estudar, a formar-se, a ensinar, a aprender fora dos sistemas formais, a criar soluções educativas nas comunidades e nos espaços digitais. No entanto, essa presença massiva nos espaços de aprendizagem contrasta com a sua fraca representação nos espaços de decisão sobre a educação.
Esta ausência não é fruto do acaso. Durante décadas, os sistemas educativos foram pensados a partir de uma lógica vertical, onde especialistas, decisores e técnicos definem caminhos, enquanto os estudantes ocupam o lugar de destinatários passivos. Mesmo quando se fala de participação juvenil, esta tende a assumir formas simbólicas: consultas pontuais, fóruns sem poder deliberativo ou iniciativas que raramente se traduzem em influência real sobre políticas, currículos ou práticas pedagógicas. Fala-se constantemente sobre juventude, mas continua-se a falar pouco com a juventude.
O recente relatório da UNESCO, Liderar com a Juventude, vem reforçar uma evidência que muitos contextos nacionais já demonstravam: os jovens não são apenas beneficiários da educação; são actores com capacidade para pensar, propor e co-construir soluções educativas. Liderar com a juventude não significa abdicar de responsabilidades institucionais, nem romantizar a inovação juvenil. Significa reconhecer capacidade política, intelectual e ética para participar activamente na definição dos rumos da educação.
Co-criar a educação exige uma mudança profunda de mentalidade. Exige abandonar a ideia de que participação se resume a escuta simbólica, para assumir que participação implica partilha real de decisão. Implica aceitar que os jovens não trazem apenas entusiasmo, mas também críticas, questionamentos e propostas que desafiam práticas consolidadas. A co-criação não é um exercício de conforto institucional; é um processo de transformação que envolve tensões, negociações e revisões constantes.
Um dos argumentos mais recorrentes contra a participação juvenil nos processos de decisão é a alegada falta de experiência. No entanto, esta visão ignora um elemento central: os jovens acumulam uma experiência única e insubstituível — a experiência directa e quotidiana de ser estudante nos sistemas educativos actuais. Eles conhecem, por dentro, as limitações dos currículos, as fragilidades das metodologias, as contradições entre discurso e prática, e os impactos reais das decisões políticas na sua aprendizagem e no seu bem-estar. Desvalorizar essa experiência é desperdiçar uma fonte essencial de conhecimento educativo.
Pensar a juventude como co-criadora da educação implica também reconhecer a diversidade interna desse grupo. Não existe uma juventude homogénea. Existem juventudes atravessadas por desigualdades profundas, por diferentes línguas, territórios, géneros, condições económicas e percursos educativos. Co-criar com a juventude exige, por isso, mecanismos que garantam que as vozes historicamente marginalizadas não sejam silenciadas pelas mais privilegiadas. Caso contrário, a participação juvenil corre o risco de reproduzir as mesmas desigualdades que a educação deveria combater.
A pergunta provocadora — “Se fosses Ministro ou Ministra da Educação por um dia, qual seria a primeira mudança que farias?” — revela mais do que um exercício retórico. Ela desloca o jovem do lugar de receptor para o lugar de pensador do sistema. Revela, também, que muitos jovens têm propostas concretas, leituras críticas e diagnósticos fundamentados sobre a escola que frequentam, a universidade que habitam e os sistemas que os formam. Escutar essas respostas não é um gesto simbólico; é um acto de responsabilidade pública.
As respostas a essa pergunta tendem a revelar preocupações recorrentes: a necessidade de currículos mais relevantes, de metodologias mais participativas, de melhores condições para professores, de escolas mais inclusivas e seguras, e de uma educação que dialogue com a realidade social e económica dos estudantes. Estas preocupações não são abstractas; são fruto de vivências concretas. Ignorá-las é insistir num modelo de educação desligado da vida real.
No contexto angolano, este debate assume particular relevância. Angola é um país jovem, tanto do ponto de vista demográfico como histórico. A construção do sistema educativo nacional tem sido marcada por avanços significativos, mas também por desafios persistentes relacionados com qualidade, equidade, formação de professores, infra-estruturas e governação. Neste cenário, a juventude não é apenas destinatária das políticas educativas; é parte activa da sua implementação quotidiana, enquanto estudantes, monitores, formadores informais e agentes comunitários.
Em muitos contextos, jovens angolanos já estão a co-criar educação fora dos quadros formais. Em bairros, comunidades, associações, igrejas, plataformas digitais e iniciativas locais, surgem projectos educativos liderados por jovens que respondem a lacunas do sistema formal. Estas experiências demonstram que a juventude não espera passivamente por reformas; ela age. O desafio das instituições é reconhecer, aprender e dialogar com essas práticas, em vez de as ignorar.
Co-criar a educação não significa transferir para os jovens responsabilidades que pertencem ao Estado ou às instituições educativas. Pelo contrário, significa criar condições estruturais para que a participação juvenil seja informada, acompanhada e sustentável. Isso implica investir em educação cívica, acesso à informação, transparência nos processos decisórios e mecanismos claros de participação. Sem essas condições, a co-criação corre o risco de se tornar apenas um discurso vazio.
É igualmente importante reconhecer que a relação entre juventude e instituições educativas é frequentemente marcada por desconfiança. Muitos jovens sentem que as suas vozes são instrumentalizadas para legitimar decisões já tomadas. Recuperar essa confiança exige coerência entre discurso e prática. Exige que as contribuições juvenis tenham efeitos visíveis, ainda que graduais. A participação que não produz consequências gera frustração e desmobilização.
Pensar a educação com a juventude implica, também, repensar o papel dos adultos no sistema educativo. Educadores, gestores e decisores não perdem autoridade ao escutar os jovens; fortalecem-na. A autoridade educativa baseada na imposição é frágil; a autoridade construída pela escuta, pelo diálogo e pelo reconhecimento é mais sólida e duradoura. Co-criar é, portanto, um exercício de humildade institucional.
A educação do presente enfrenta desafios complexos: transformações tecnológicas aceleradas, crises ambientais, desigualdades persistentes e mudanças profundas no mundo do trabalho. Nenhuma geração, isoladamente, possui todas as respostas para esses desafios. A co-criação intergeracional torna-se, assim, não apenas desejável, mas necessária. Os jovens trazem novas linguagens, novas ferramentas e novas formas de pensar; os adultos trazem memória, experiência e visão de longo prazo. A educação precisa desse encontro.
Neste Dia Internacional da Educação, reconhecer o poder da juventude na co-criação da educação não pode limitar-se a uma celebração simbólica. Trata-se de um apelo à acção. A educação do presente — e não apenas a do futuro — depende da capacidade de incluir os jovens como co-autores das políticas, das práticas e das visões que moldam os sistemas educativos.
A pergunta final que se impõe não é se os jovens estão prontos para co-criar a educação. A realidade mostra que muitos já o fazem, com ou sem reconhecimento institucional. A questão decisiva é se as instituições estão dispostas a partilhar poder, a aprender com a juventude e a transformar-se a partir desse diálogo. O futuro da educação depende, em grande medida, da resposta que dermos a essa questão hoje.

Nataniel António

VOZES DA MISSÃO O eco de quem sabe, ao serviço de quem aprende SOBRE A MISSÃO Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026 Nataniel António (Kaos) é estudante finalista de Gestão Aeronáutica, área pela qual nutre particular interesse, com especial atenção à aviação civil. Paralelamente ao seu percurso académico, desenvolve actividade no campo da comunicação e da expressão artística, articulando pensamento, palavra e intervenção pública. No domínio artístico, actua como poeta e orador, utilizando a poesia declamada como meio de consciencialização, acção social, valorização cultural e construção de identidade. A sua prática poética centra-se na palavra como instrumento de questionamento e reflexão social, com intervenções realizadas em diferentes espaços culturais, educativos e comunitários. Com formação e experiência em oratória e comunicação assertiva, actua igualmente como palestrante em contextos institucionais, desenvolvendo intervenções centradas na comunicação verbal, na clareza da mensagem e na adequação ao público. Esta versatilidade permite-lhe transitar entre o palco artístico e os espaços formais de comunicação, mantendo coerência discursiva e intencionalidade. Na Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026, dedicada ao tema “O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança”, Nataniel António (Kaos) integra o Momento Cultural, intervindo através da poesia como parte do percurso reflexivo da Jornada. JORNADA ANUAL DA CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO — 2026   TEMA: O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança DATA: Sábado, 24 de Janeiro de 2026 HORÁRIO: 19h00 – 21h00 (hora de Angola) FORMATO: Online, via Google Meet   👉 FORMULÁRIO DE REGISTO Conheça vozes que já ecoaram nas nossas missões Mwalua Costa Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Juliana Candomba Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Alzineide Cassule Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026 Sila Monteiro Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026

Gari Sinedima

VOZES DA MISSÃO O eco de quem sabe, ao serviço de quem aprende SOBRE A MISSÃO Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026 Gari Sinedima é cantor, compositor e formador angolano, com um percurso consolidado no panorama da música contemporânea. Natural da província do Namibe, iniciou o seu contacto com a música ainda na infância, tendo cantado em contextos corais desde cedo, experiência que marcou de forma estruturante a sua relação com a expressão musical. Ao longo do seu trajecto artístico, tem desenvolvido uma linguagem musical assente na valorização da identidade, da emoção e da palavra como elementos de comunicação e ligação entre pessoas e culturas. A sua produção inclui gravações, actuações ao vivo e colaborações artísticas, com presença em palcos nacionais e internacionais, no contexto de festivais, concertos e iniciativas culturais ligadas à música angolana e lusófona. A sua discografia inclui, entre outros trabalhos, o EP Gratidão (2023) e temas como Nosso Momento e Afro Good Voyage. Em 2023, foi distinguido com o prémio “Melhor Trovador de Luanda”, reconhecimento no panorama musical angolano, sublinhando a sua contribuição artística e interpretativa. Ao longo da sua carreira, participou igualmente em eventos culturais de relevo e partilhou palcos com diversos artistas, reforçando a sua presença no meio musical. Paralelamente à actividade artística, actua como professor de canto e orientador vocal, dedicando-se à formação e acompanhamento de novos talentos. É também criador e apresentador do programa de conversas “Tons da Gente”, um projecto audiovisual de diálogo cultural no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dedicado à partilha de percursos, experiências e expressões artísticas dos diferentes países lusófonos. Na Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026, dedicada ao tema “O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança”, Gari Sinedima integra o Momento Cultural, intervindo através da música como parte do percurso reflexivo da Jornada. JORNADA ANUAL DA CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO — 2026   TEMA: O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança DATA: Sábado, 24 de Janeiro de 2026 HORÁRIO: 19h00 – 21h00 (hora de Angola) FORMATO: Online, via Google Meet   👉 FORMULÁRIO DE REGISTO Conheça vozes que já ecoaram nas nossas missões Mwalua Costa Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Juliana Candomba Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Alzineide Cassule Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026 Sila Monteiro Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026

Sila Monteiro

VOZES DA MISSÃO O eco de quem sabe, ao serviço de quem aprende SOBRE A MISSÃO Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026 Sila Monteiro, nome profissional de Cecília Silvana Monteiro dos Santos, é enfermeira e mobilizadora social, com actuação na província do Kwanza Sul. Actualmente, frequenta o segundo ano da licenciatura em Clínica Geral. Desenvolve o seu trabalho em contextos comunitários, com envolvimento em acções de saúde, apoio social e acompanhamento de famílias, articulando práticas de cuidado, prevenção e sensibilização em contextos locais. É formada em Comunicação Assertiva, actuando como comentadora, palestrante, mobilizadora social e animadora de eventos. Na área da saúde, possui formações em Primeiros Socorros, Consultas Pré-Natal, Malária na Gravidez, PTV–HIV/SIDA, normas nacionais e técnicas actuais de tratamento antirretroviral (TARV) e esquemas de tratamento do HIV. Detém formação em vigilância epidemiológica comunitária, incluindo investigação de casos de Paralisia Flácida Aguda, estratégias de sensibilização e busca activa nas comunidades, e o papel do agente comunitário na vigilância. Possui igualmente especialidade prática como parteira tradicional, desempenhando um papel relevante na assistência materno-infantil, conciliando saberes tradicionais com práticas da enfermagem. Na área administrativa, conta com formação em Secretariado e Administração Pública, Gestão de Arquivos, Fiel de Armazém e Técnicas de Farmácia. Possui ainda formação em Etiologia Bíblica. Exerce a função de Chefe de Secção da Acção Social, onde coordena e implementa iniciativas de apoio social e humanitário. É criadora e mentora de um grupo solidário comunitário, através do qual promove e acompanha acções de apoio social dirigidas a famílias e comunidades. No âmbito sindical e associativo, exerceu os cargos de Coordenadora Municipal e Provincial da Mulher Sindicalizada pelo SINDEIA no Kwanza Sul, bem como a função de Vice-Presidente da APDECA, participando em actividades de organização associativa e defesa de direitos. Paralelamente, actua como criadora de moda de trajes africanos, utilizando a moda como forma de expressão cultural e valorização das raízes africanas. Na Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026, dedicada ao tema “O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança“, Sila Monteiro representa a Voz da Família, contribuindo para a reflexão sobre o papel da família como primeiro espaço de cuidado, educação e acompanhamento da criança, a partir da sua experiência em contextos comunitários, sociais e de saúde. JORNADA ANUAL DA CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO — 2026   TEMA: O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança DATA: Sábado, 24 de Janeiro de 2026 HORÁRIO: 19h00 – 21h00 (hora de Angola) FORMATO: Online, via Google Meet   👉 FORMULÁRIO DE REGISTO Conheça vozes que já ecoaram nas nossas missões Mwalua Costa Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Juliana Candomba Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Alzineide Cassule Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026 Sila Monteiro Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026

Alzineide Cassule

VOZES DA MISSÃO O eco de quem sabe, ao serviço de quem aprende SOBRE A MISSÃO Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026 Alzineide Cassule é psicóloga angolana, com actuação nas áreas da psicologia clínica e da saúde mental comunitária, desenvolvendo o seu trabalho com foco no desenvolvimento socioemocional de crianças, adolescentes e adultos. A sua prática profissional articula intervenção psicológica, educação emocional e prevenção de riscos psicossociais, com especial atenção a contextos educativos, escolares e comunitários, bem como a populações em situação de vulnerabilidade. Ao longo da sua trajectória, Alzineide tem desenvolvido uma abordagem ética, sensível e contextualizada, orientada para a promoção do bem-estar emocional e para o fortalecimento de competências socioemocionais. O seu trabalho valoriza a escuta qualificada, a compreensão das dinâmicas familiares e escolares e a adaptação das práticas psicológicas às realidades sociais e culturais angolanas, contribuindo para intervenções mais humanas e eficazes no contexto educativo. A sua actuação abrange áreas como educação emocional, saúde mental em contextos comunitários, apoio psicológico a crianças e adolescentes, prevenção de comportamentos de risco, promoção da resiliência e fortalecimento de vínculos familiares e escolares. Paralelamente, dedica-se à concepção e implementação de projectos educativos e de promoção da saúde mental, colaborando com iniciativas ligadas à educação, à investigação e à capacitação juvenil, em articulação com redes e plataformas de saúde mental em África. Na Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026, dedicada ao tema “O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança”, a voz de Alzineide Cassule representa a Voz da Escola, trazendo uma leitura fundamentada sobre o papel da instituição escolar na formação integral, no cuidado socioemocional e na prevenção de riscos psicossociais. A partir da sua experiência prática e do seu olhar clínico e educativo, contribui para a construção de escolas mais conscientes, protectoras e emocionalmente saudáveis, reforçando a responsabilidade educativa partilhada entre escola, família e comunidade. JORNADA ANUAL DA CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO — 2026   TEMA: O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança DATA: Sábado, 24 de Janeiro de 2026 HORÁRIO: 19h00 – 21h00 (hora de Angola) FORMATO: Online, via Google Meet   👉 FORMULÁRIO DE REGISTO Conheça vozes que já ecoaram nas nossas missões Mwalua Costa Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Juliana Candomba Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Alzineide Cassule Posted on19 de Janeiro, 202614 de Fevereiro, 2026 Sila Monteiro Posted on19 de Janeiro, 202630 de Janeiro, 2026

Ivanilson Ramos

VOZES DA MISSÃO O eco de quem sabe, ao serviço de quem aprende SOBRE A MISSÃO Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026 Ivanilson Ramos é estudante de Medicina e gestor de projecto social, com envolvimento em iniciativas ligadas à educação, à literacia e ao desenvolvimento comunitário. Desde a adolescência, desenvolve actividades na área da comunicação, tendo iniciado a sua participação em programas de comunicação infantil na estação provincial de Benguela. No seu percurso, Ivanilson integrou iniciativas de comunicação dirigidas ao público infantil, com enfoque na promoção da leitura e na sensibilização social e ambiental. Em 2022, foi seleccionado para o Programa Africano de Jornalismo Ambiental, promovido pela organização Space for Giants, no âmbito do qual produziu conteúdos relacionados com questões ambientais, incluindo a protecção das tartarugas marinhas. Alguns desses conteúdos foram posteriormente republicados pelo jornal The Independent, no Reino Unido. É voluntário do Projecto Ambiental Cambeu, iniciativa dedicada à protecção das tartarugas marinhas na costa de Benguela e do Lobito, participando em acções de sensibilização e preservação ambiental. É igualmente fundador da Biblioteca Comunitária Raízes do Conhecimento, iniciativa inspirada pela sua participação no Africa Matters Initiative (AMI), com o objectivo de criar espaços comunitários de aprendizagem e acesso ao livro para crianças e jovens. Paralelamente, promove workshops sobre técnicas de locução e comunicação infantil, partilhando conhecimentos e experiências com crianças e jovens interessados na comunicação. O seu percurso articula educação, voluntariado e participação comunitária, com foco no envolvimento juvenil e na promoção do pensamento crítico. Na Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026, dedicada ao tema “O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança”, Ivanilson Ramos representa a Voz da Comunidade, contribuindo para a reflexão sobre o papel dos espaços comunitários, da literacia, da comunicação e da participação juvenil na educação e na formação das crianças, a partir de experiências concretas de intervenção comunitária. JORNADA ANUAL DA CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO — 2026   TEMA: O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança DATA: Sábado, 24 de Janeiro de 2026 HORÁRIO: 19h00 – 21h00 (hora de Angola) FORMATO: Online, via Google Meet   👉 FORMULÁRIO DE REGISTO Conheça vozes que já ecoaram nas nossas missões Mwalua Costa Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Juliana Candomba Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Alzineide Cassule Posted on19 de Janeiro, 202630 de Janeiro, 2026 Sila Monteiro Posted on19 de Janeiro, 202630 de Janeiro, 2026

Anhesse Chipoia

VOZES DA MISSÃO O eco de quem sabe, ao serviço de quem aprende SOBRE A MISSÃO Jornada Anual da Ciência da Educação — 2026 Anhesse Chipoia é activista social e comunitária, com envolvimento em iniciativas de mobilização, sensibilização e acção social junto das comunidades. Desenvolve actividades orientadas para a promoção da responsabilidade colectiva e para a atenção às condições de vida das crianças, com actuação centrada na consciencialização comunitária e na participação cívica. É dinamizadora da página “Meu Povo, Minha Prioridade”, uma plataforma digital dedicada à sensibilização social e à partilha de mensagens relacionadas com a protecção das crianças, a valorização da comunidade e o compromisso social em contextos africanos, através de conteúdos de mobilização e reflexão pública. Na Jornada Anual da Ciência da Educação — Edição 2026, dedicada ao tema “O papel da escola, da família e da comunidade na educação, prevenção e protecção da criança”, Anhesse Chipoia contribui com um Olhar Integrado, articulando escola, família e comunidade na reflexão sobre a importância da acção conjunta e da responsabilidade partilhada na construção de ambientes educativos mais conscientes e protectores. Conheça vozes que já ecoaram nas nossas missões Mwalua Costa Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Juliana Candomba Posted on30 de Maio, 202514 de Fevereiro, 2026 Alzineide Cassule Posted on19 de Janeiro, 202630 de Janeiro, 2026 Sila Monteiro Posted on19 de Janeiro, 202630 de Janeiro, 2026

Nas Lentes da Angola Aprende — Clube de Leitura Umoxi

ASSOCIAÇÃO CLUBE DE LEITURA UMOXI Um retrato educativo de uma organização comunitária que fortalece a educação a partir da alfabetização, da leitura e do acompanhamento escolar. ROSTO EM FOCO: Associação Clube de Leitura Umoxi – Livro é Vida CAMPO DE ACÇÃO EDUCATIVA: Alfabetização • Reforço Escolar • Promoção Da Leitura • Educação Comunitária • Formação Integral ONDE A EDUCAÇÃO ACONTECE: Bairro Corimba, Distrito Urbano da Samba, Luanda DADOS ESSENCIAIS: Presidente: Belza Getsêmani Vice-Presidente: Ariege Ebo Associação sem fins lucrativos Fundada a 28 de Dezembro de 2022 Comunidade activa com mais de 100 membros, entre crianças, jovens e adultos EM PRIMEIRO PLANO: QUEM FAZ DA EDUCAÇÃO UM COMPROMISSO No coração da Corimba, em Luanda, o Clube de Leitura Umoxi – Livro é Vida afirma-se como uma organização comunitária que coloca a leitura no centro da experiência educativa, entendendo o livro como instrumento de descoberta, encontro e construção de sentido. Fundada a 28 de Dezembro de 2022, a associação nasce da iniciativa de membros da comunidade que reconheceram na leitura uma via concreta para ampliar horizontes, estimular o pensamento crítico e fortalecer o vínculo entre conhecimento, identidade e futuro. Num contexto marcado pelo acesso limitado ao livro e a espaços de leitura, a Umoxi cria oportunidades onde a palavra escrita ganha vida e significado. O ENQUADRAMENTO DO FAZER EDUCATIVO Sob o lema “Livro é Vida”, o Clube de Leitura Umoxi desenvolve um trabalho educativo centrado na promoção da leitura como prática regular, partilhada e significativa. Rodas de leitura, concursos de leitura e poesia, oficinas de escrita, encontros com escritores e visitas culturais constituem o núcleo das suas actividades, criando um ambiente onde ler é um acto colectivo e transformador. À medida que este trabalho se foi consolidando, a associação passou também a integrar aulas de alfabetização e sessões de reforço escolar, como resposta às dificuldades de leitura e escrita identificadas entre crianças e jovens da comunidade. Estas acções não substituem o eixo central da leitura; antes, reforçam-no, garantindo que mais participantes possam apropriar-se plenamente do livro e do conhecimento que ele transporta. Neste sentido, a alfabetização e o acompanhamento escolar surgem como dimensões complementares de um projecto educativo mais amplo, que vê na leitura tanto um ponto de partida como um horizonte permanente. A LUZ QUE ESTAS ACÇÕES PROJECTAM O impacto do trabalho da Umoxi torna-se visível na forma como crianças e jovens se relacionam com o livro, com a escola e com a sua própria aprendizagem. A maior confiança na leitura em voz alta, a melhoria da compreensão dos textos escolares e o aumento do interesse pela escrita revelam transformações consistentes no quotidiano educativo da comunidade. Mesmo com recursos limitados, a dedicação dos seus mais de 100 membros sustenta uma acção educativa contínua. Com apoio de editoras, livrarias e doações individuais, a associação demonstra que a leitura, quando enraizada na comunidade, tem um poder transformador que ultrapassa o espaço físico do livro. Cada roda de leitura, cada texto partilhado, cada criança que passa a ler com maior autonomia reforça a ideia de que a educação se constrói também a partir de gestos simples, mas persistentes. MANTER A IMAGEM VIVA: O PAPEL DA SOCIEDADE O trabalho do Clube de Leitura Umoxi fortalece-se quando é reconhecido e apoiado pela sociedade. Existem várias formas de contribuir para a continuidade e o aprofundamento desta acção educativa: 📚Doação de livros e materiais didácticos, novos ou em bom estado 🛠️Apoio com infra-estrutura ou mobiliário para as actividades 💸Contribuições financeiras para custear acções educativas, transporte e alimentação 🧑🏽‍🏫Voluntariado em actividades de leitura, alfabetização, apoio escolar ou oficinas culturais Quem desejar apoiar pode entrar em contacto directamente com a direcção da associação para conhecer, com exactidão, as necessidades actuais. 📞Contacto: +244 924 146 770 | +244 997 617 915📍Localização: Rua da Galileia, casa n.º 508, Bairro Corimba, Município da Samba, Luanda🌐Redes Sociais: FACEBOOK • INSTAGRAM NAS LENTES DA ANGOLA APRENDE A Angola Aprende reconhece e dá visibilidade a quem, todos os dias, fortalece a educação em Angola, enaltecendo educadores e acções educativas que, no quotidiano, constroem futuro. Nas Lentes da Angola Aprende, cada retrato é um exercício de memória, dignidade e reconhecimento do trabalho educativo feito com compromisso, contexto e sentido. O Clube de Leitura Umoxi é um retrato vivo do poder da leitura quando assumida como prática educativa, cultural e comunitária. Ao trazer esta experiência à luz, reafirmamos que o livro continua a ser um instrumento central de transformação, sobretudo quando é partilhado, vivido e cuidado em conjunto. Explora Outros Textos e Aprofunda a Tua Reflexão Sobre a Educação em Angola ENTREVISTA Isabel Muinga | Ser Médica em Angola: entre Percurso, Prática e Aprendizagem Contínua Posted on11 de Fevereiro, 202611 de Fevereiro, 2026 ARTIGO Quando as Políticas Mudam, Quem Mantém a Educação de Pé? 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