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Bibliotecas Escolares: O Investimento que Pode Mudar o Destino de Angola

POR CLÁUDIA CASSOMA — Educadora Especializada em Educação Inclusiva, Escritora e Fundadora da Angola Aprende

Nenhum país se constrói apenas com recursos naturais. As nações que prosperam são aquelas que compreendem que o verdadeiro petróleo é o conhecimento, e que a maior riqueza está nas mentes bem formadas do seu povo. Em Angola, onde mais de metade da população é jovem, o futuro depende da capacidade colectiva de transformar potencial em competência, curiosidade em criatividade e talento em progresso. Nesse esforço, as bibliotecas escolares representam uma das políticas públicas mais simples, económicas e poderosas para garantir a qualidade e a equidade da educação.

Numa comunidade de baixos recursos, uma biblioteca não é apenas um edifício com livros. É um centro de esperança, um espaço onde a criança descobre o mundo para além das fronteiras da pobreza, onde o jovem encontra respostas e onde o professor se reencontra com o seu propósito. A biblioteca é a escola depois da aula, o lar depois do dever, o refúgio silencioso onde a mente aprende a sonhar e o coração aprende a pensar. É, simultaneamente, o lugar da curiosidade e da dignidade, o ponto de encontro entre o saber formal e o saber vivido das comunidades.

Num país de desigualdades marcadas, investir em bibliotecas escolares é investir em igualdade de oportunidades. Quando uma escola dispõe de uma biblioteca activa e aberta à comunidade, os resultados são visíveis: alunos mais motivados, professores mais preparados, famílias mais envolvidas e comunidades mais conscientes. É um investimento que reduz a exclusão, previne o abandono escolar e combate a pobreza com o poder mais duradouro que existe — o do conhecimento partilhado.

A Lei de Bases do Sistema de Educação (Lei n.º 13/01) define a educação como processo contínuo de desenvolvimento humano, social e cultural. A Constituição da República de Angola consagra a educação como um direito e um dever do Estado e da sociedade. A Lei sobre o Desenvolvimento Integral da Criança (Lei n.º 25/12) determina que cada criança deve ter acesso a condições que garantam o seu crescimento intelectual e moral. Mas uma lei só se cumpre quando é acompanhada de acções concretas. A biblioteca escolar é uma dessas acções: um gesto político de justiça social que torna real o direito à educação de qualidade, independentemente do lugar onde a criança nasce.

Nas zonas rurais e periurbanas, onde o acesso à internet é limitado e os recursos pedagógicos são escassos, a biblioteca é frequentemente o único espaço público de aprendizagem livre. É ali que o saber circula, que a leitura desperta, que a imaginação floresce e que a cidadania se aprende. Uma criança que lê compreende melhor o mundo e faz melhores escolhas. Um jovem que frequenta a biblioteca desenvolve pensamento crítico, autonomia e ambição. Um professor com acesso a livros ensina com mais profundidade e confiança. E uma comunidade que lê é uma comunidade mais consciente, mais tolerante e mais participativa.

Investir em bibliotecas escolares é um acto de governação visionária. É investir em capital humano, na paz social e na sustentabilidade económica. O custo de uma biblioteca é irrisório quando comparado com o custo da ignorância, da exclusão e da dependência. Cada livro é uma arma contra o atraso, cada prateleira é uma oportunidade de futuro, cada biblioteca é uma semente de progresso plantada no coração de uma escola.

Ao criar e equipar bibliotecas escolares em todo o território nacional, o Estado estaria a fortalecer o sistema educativo, mas também a construir pontes entre gerações e regiões, aproximando o centro das margens e transformando as periferias em espaços de produção de saber. Essa política não requer apenas orçamento; requer vontade política, visão estratégica e fé no poder transformador da educação.

Angola precisa de mais do que escolas — precisa de escolas com alma, e a alma de uma escola é a sua biblioteca. É nela que o estudante aprende a pensar, o professor aprende a inovar e a comunidade aprende a sonhar. Quando uma criança entra numa biblioteca, ela entra, simbolicamente, no futuro do país. E quando um governo decide investir nelas, decide também investir na inteligência colectiva e na dignidade do seu povo.

O futuro de Angola será escrito nas páginas que as suas crianças aprenderem a ler. Cada biblioteca escolar inaugurada é um acto de fé no desenvolvimento nacional, um compromisso com a equidade e um tributo ao direito universal de aprender. Porque um livro aberto é uma mente livre — e uma mente livre é o início de uma nação próspera.

OUTUBRO

Mês Internacional das Bibliotecas Escolares.

Cláudia Cassoma é educadora, gestora escolar e autora de mais de trinta livros, incluindo obras infantis e paradidácticas. Com um historial profissional que vai de professora de educação especial a directora de escola nos Estados Unidos da América, é fundadora da Angola Aprende e da Fundação Cassoma, iniciativas que promovem inovação pedagógica, valorização dos professores e acesso inclusivo. Formadora certificada e palestrante internacional, tem dedicado a sua carreira a criar oportunidades educativas transformadoras. A sua luta é traçar um caminho claro que vá além da educação especial, rumo a uma educação inclusiva, acessível e de qualidade para todos. Dedica-se a inspirar educadores, estudantes e líderes a acreditarem no poder da educação como instrumento de mudança colectiva.

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