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Abigail Rosa Alberto Gumba

A Educação que Começa nos Valores: Escola Bíblica, Formação de Carácter e a Convicção de que Educar Transforma Vidas

No âmbito da campanha Ahetu mu Kulonga — Mulheres na Educação, a Angola Aprende conversou com Abigail Rosa Alberto Gumba, professora de Escola Bíblica na Igreja Assembleia de Deus Pentecostal Ministério Salém, em Luanda. Licenciada em Gestão e Administração Pública, com mais de seis anos de experiência educativa, chegou ao ensino pelo mesmo caminho que percorreu como aluna — e decidiu que o que a formou merecia ser partilhado.

Nesta entrevista, Abigail fala sobre o papel da educação espiritual no desenvolvimento integral da criança, sobre como valores bem construídos moldam futuros profissionais e cidadãos, e sobre a convicção que atravessa todo o seu percurso: a educação transforma vidas.

O que a levou a dedicar-se à educação de crianças em contexto bíblico, e como define o impacto desse trabalho na formação humana e de valores?

Abigail Gumba: Desde pequena, integrei a Escola Bíblica como aluna. Ao longo do percurso, tive contacto com professores que marcaram a minha vida de forma positiva. Percebi que parte do que somos em sociedade é reflexo das crenças e ideologias que cada um de nós carrega. A Escola Bíblica ensinou-me a ter valores e a cultivar um bom carácter. A palavra de Deus mudou-me por dentro: aprendi a ser uma pessoa melhor e a olhar o mundo com mais empatia. Foi tão bom para mim que comecei a acreditar que podia fazer com que mais pessoas tivessem acesso ao que eu tive. Decidi então dar voz ao que fui aprendendo ao longo dos anos — e passei a leccionar.

Enquanto professora de Escola Bíblica, como compreende o papel da educação espiritual no desenvolvimento integral da criança — emocional, social e comportamental?

Abigail Gumba: A educação espiritual, por ser tão rica e completa, influencia o comportamento das crianças de forma profunda — a sua qualidade de vida melhora. Vai muito além de histórias: o conteúdo espiritual que lhes é ensinado serve de guia para cada decisão que tomam, prepara-as para a vida adulta, facilita o processo de integração social e ajuda-as a aperfeiçoar o carácter.

De que forma o seu trabalho contribui para o fortalecimento da literacia — tanto na leitura e compreensão de textos bíblicos como na capacidade de reflexão crítica e diálogo?

Abigail Gumba: A compreensão das escrituras depende muitas vezes da forma como são interpretadas, dos métodos utilizados e da explicação que delas se faz. Acredito que o meu trabalho como professora facilita esse processo — estimula o gosto pela leitura, através de uma abordagem entusiástica e interactiva, desenvolve o raciocínio e a capacidade de expressão. As crianças sentem-se impactadas e têm vontade de participar, apresentando as suas ideias, opiniões e percepções sobre o que estão a aprender.

Como constrói uma relação de parceria com as famílias, e até que ponto essa colaboração influencia o desenvolvimento das crianças?

Abigail Gumba: Normalmente tenho contacto com os pais no momento em que trazem as crianças para as aulas. Em alguns casos, os pais acabam por se sentir convidados a assistir — porque os filhos, depois da aula, não param de falar do que aprenderam e de como foi divertido. Essa colaboração tem influenciado muito o desenvolvimento das crianças: elas sentem-se mais confortáveis para falar de determinados aspectos das suas vidas, incluindo a forma como os encarregados as tratam. A interacção facilita o diálogo com os pais, que passam a olhar para certas situações com maior flexibilidade e respondem com mais facilidade aos alertas relacionados com as suas crianças.

Em contextos espirituais também existem mudanças de liderança, visão e prioridades ministeriais. Como essas transições impactam o seu trabalho pedagógico?

Abigail Gumba: As mudanças têm-me impactado principalmente por um único factor: a visão — ou seja, a forma como os líderes enxergam o ensino. Já lidei com situações em que alguns líderes consideravam a Escola Bíblica menos relevante, o que dificultou o processo, porque muitos projectos que deveriam ser implementados levaram muito mais tempo do que o necessário, por precisarem de aprovação. Mas conseguimos contornar a situação, e o retorno que foi chegando dos pais — sobre como a Escola Bíblica tinha afectado positivamente a vida dos seus educandos — fez com que os líderes ganhassem flexibilidade e passassem a olhar para o trabalho de forma diferente.

Já viveu um momento em que uma mudança na liderança da igreja exigiu adaptação na forma como ensinava ou organizava as actividades? Como lidou com essa transição?

Abigail Gumba: Felizmente, nunca vivi esse momento. A liderança que apresentou alguma resistência não intervinha directamente na forma como leccionava nem nos recursos que utilizava.

Que desafios encontra ao alinhar valores espirituais com a realidade social e cultural que as crianças vivem fora da igreja?

Abigail Gumba: Felizmente, quase não tenho encontrado esses desafios. A maioria das igrejas considera a palavra de Deus como orientação suprema e deixa-se reger pelas lições que através dela vai aprendendo — levando esses valores até ao meio social.

De que forma a formação baseada em valores pode influenciar não apenas o carácter, mas também o futuro académico e profissional das crianças?

Abigail Gumba: Valores mudam tudo. Uma criança que aprende com a história de Daniel e os seus amigos — que deve ser inteligente, destacada e não se deixar influenciar por coisas negativas — torna-se um adulto profissionalmente bem-sucedido. Valores mudam a percepção sobre a vida e sobre como deve ser vivida. Valores bem estruturados conduzem sonhos, projectos e metas para que sejam realizados de forma mais eficiente e honesta.

Que competências considera fundamentais desenvolver nas crianças hoje para que se tornem adultos responsáveis, éticos e preparados para contribuir na sociedade?

Abigail Gumba: Entre as várias competências existentes, acredito que a capacidade de resolver problemas, a resiliência, o domínio próprio e o trabalho em equipa são as mais fundamentais para que as crianças de hoje se tornem os adultos responsáveis e éticos de amanhã.

Como promove autonomia, responsabilidade e pensamento crítico nas suas aulas, mesmo dentro de um contexto confessional?

Abigail Gumba: A autonomia é promovida através do incentivo à participação. Em cada aula, as crianças têm oportunidade de resumir o que aprenderam na aula anterior ou na aula do dia — isso faz com que, com base no que aprenderam e explicaram, consigam tomar decisões por si próprias, porque lhes é sempre apresentado o que é correcto e o que não é, com explicação do porquê.

A responsabilidade é trabalhada através de pequenas tarefas concretas: todas as crianças sabem que devem arrumar os materiais no final da aula, que muitos são reutilizados e que não devem ser danificados. Delego também tarefas a algumas crianças em cada aula — uma selecção rotativa que tem ajudado a desenvolver o sentido de responsabilidade.

O pensamento crítico é estimulado antes mesmo de qualquer esclarecimento: as crianças têm liberdade para apresentar a sua opinião, e eu vou orientando o raciocínio com pistas e aspectos relevantes para responder às questões colocadas.

Se pudesse sentar-se à mesa onde se tomam decisões sobre educação em Angola e defender o lugar da educação confessional e da formação de valores nesse sistema, o que diria — e o que gostaria que as pessoas nessa sala compreendessem sobre o que se constrói fora das escolas formais?

Abigail Gumba: Se tivesse o privilégio de me sentar à mesa onde se tomam decisões sobre educação em Angola e defender o lugar da educação confessional e da formação de valores nesse sistema, diria que a educação confessional vai muito além de ensinamentos sobre crenças religiosas — ou de uma tentativa de as pessoas se agarrarem a uma esperança de melhoria de vida por conta das dificuldades que enfrentam nas diferentes esferas do quotidiano, como muitas vezes nos é apresentada. É, antes de tudo, a garantia de moldarmos uma sociedade e de nela incutirmos valores inegociáveis, que contribuem para a construção de um mundo mais justo e mais desenvolvido.

Gostaria que compreendessem que há um grande trabalho a ser feito fora das escolas formais. Há pessoas que doam muito de si, todos os dias, para que a visão de vivermos de forma harmónica e saudável faça sentido e gere impacto real na mente daqueles com quem têm a oportunidade de leccionar.

Eme ngui muhatu wa Kulonga — eu sou mulher na educação. O que é que esta afirmação significa para ti enquanto educadora em contexto espiritual?

Abigail Gumba: Para mim, significa que tenho uma grande responsabilidade — e que posso, por meio da educação, contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais empática, integrada e desenvolvida.

Que mensagem gostaria de deixar às famílias, às crianças e às mulheres que desejam trabalhar na formação de valores e carácter das novas gerações?

Abigail Gumba: A educação transforma vidas — e é o meio pelo qual construímos um mundo melhor e mais feliz.

Também acreditas na força da educação? Descobre como participar e levar esta transformação mais longe.

Continue a Inspirar-se com Ahetu que Fortalecem a Educação em Angola

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